



Se acompanha o cenário Tier 2 de League of Legends, você sabe que Ganbat "Yuuji" Ulziidelger é um dos jogadores da NACL mais esperados dos últimos anos. O jungler de 22 anos, apelidado de "Monstro da Mongólia" por causa de seu domínio individual, poderia facilmente ter se juntado a um time da LTA na temporada de 2025 se ele fosse contado como um jogador da NA. Yuuji foi assegurado de ele contaria como um residente da América do Norte depois de anos morando e estudando nos EUA, porém, ele viu seu status ser revertido no último segundo.
Era tarde demais na offseason para uma equipe da LTA justificar a contratação de um jungler novato estrangeiro, e tarde demais para qualquer equipe da LEC garantir um visto de trabalho da UE antes do início do Split de Inverno. E então Yuuji, apesar de ser o MVP da NACL consecutivamente, olhou para outro ano passado em um lago onde ele já havia provado que era o maior peixe.
No entanto, Yuuji logo teria a chance de chegar ao mar. Depois de um chocante último lugar no First Stand inaugural, o Head Coach da Team Liquid, Jake “Spawn” Tiberi, começou a realizar testes e a substituir jogadores nos treinos. O processo pretendia ajudar o time a isolar e identificar problemas, não exigia mudanças na escalação do time, mas isso também não estava fora de questão.
Um mês depois, de todas as perspectivas que a Liquid testou, apenas Yuuji permaneceu. A TL começou o processo de adquiri-lo como um sexto-homem-jungler da DarkZero Dragonsteel, o time da NACL da Maryville University. Poucos dias depois de ele receber a notícia, antes mesmo de se mudar para St. Louis, sentamos para conversar com Yuuji sobre sua jornada de uma década, desde jogar solo queue no servidor da NA com 250 de ping lá na Mongólia até chegar à Riot Games Arena em Los Angeles.
Como você foi apresentado ao League of Legends?
Estava visitando um dos meus primos com meu irmão, e ele estava jogando League na hora. Achei que o jogo parecia divertido. Porque eu jogava DOTA antes, e pensei "vou tentar jogar uma partida." Eu joguei um jogo com o Master Yi na jungle, e fiz um pentakill.
Fiquei tipo "Oh, uau. Esse jogo é divertido.”
Você fez um pentakill no seu primeiro jogo? Em que ano foi isso?
Não, não tinha jogadores reais. Eram bots. [...] Devia ser a Season 3... Não sei quantos anos eu tinha.
Quando você ficou sabendo do jogo profissional?
Provavelmente na Season 4, eu vi a SKT vencendo o Worlds na época, eu acho. E aí procurei as VODs de gameplay do Faker, sabe? E aí comecei a assistir à gameplay dele.
Você tinha um ping muito alto nessa época, né?
Sim. Naquela época, eu jogava com uns 220 a 250 de ping [...] na Mongólia. Na época eu achava que o League tinha só um servidor, então eu só jogava no servidor da NA de graça mesmo. E aí tinha uns 220-250 de ping. Cheguei no Diamante 1 na NA [na Season 5].
Então acho que foi por volta da Season 6, Season 7. Descobri que havia outros servidores no League. Fiquei tipo, "Oh, tem um servidor da UE Ocidental (EUW). Vou tentar." Eu tinha 130-150 de ping. Quando comecei a jogar na EUW, fiquei no Challenger por mais ou menos um ano.
Quão grande foi a mudança de ping?
Depois de começar a jogar o jogo com ping alto, é um jogo completamente diferente. Mas uma vez que você começa a jogar com ping baixo e tenta jogar com ping alto [novamente], não é possível jogar.
Quando que o jogo profissional lhe ocorreu como uma opção?
Provavelmente foi durante meus anos de ensino médio. Quando entrei no ensino médio, decidi estudar inglês com mais afinco para poder praticar e fazer faculdade nos EUA. Então, no meu último ano de ensino médio, eu estava olhando o Twitter, e descobri que havia bolsas de estudo para jogadores de League.
Achei que pudesse conseguir, e comecei a mandar DMs para as escolas no Twitter. Uma escola chamada Missouri Baptist University me respondeu, e foi assim que vim para os EUA.
Você já considerou as escolas na Europa, ou jogar League lá?
Não. Nunca considerei a Europa. [...] Não sei. Acho que não vi motivo para ir à UE para estudar. Minha mãe fez o mestrado dela aqui nos EUA. [...]
Sinceramente, meus pais me apoiam muito, principalmente minha mãe. Ela segue meu time e minha conta no Twitter, por isso está sempre atualizada sobre nossas vitórias e derrotas. Eles realmente apoiaram minha decisão de me mudar para os EUA. Acho que sempre quiseram que eu fosse para o exterior.
Geralmente eles nunca me falam o que fazer, então me sinto sortudo por saber que, seja lá qual caminho eu escolher, eles me apoiarão, não importa o que aconteça.
Como foi sua jornada no Tier 3 e no Tier 2?
Depois da Missouri Baptist University, me transferi para Bethany Lutheran College. Quando vim para os EUA, fiquei em 5º lugar no ranking em poucos meses, então havia algumas equipes amadoras me mandando DM.
Foi sua primeira vez jogando com menos 100 de ping?
Eu estava com 20 de ping. Tinha um ping muito baixo na época. [...] Quero dizer, eu tinha jogado no servidor chinês, que tinha uns 90 de ping na época. Mas eu não joguei muito. Eu cheguei no Challenger e parei de jogar. [...] Só com o idioma, sabe?
É muito difícil falar com as pessoas [no servidor chinês]. Eu nem sei chinês, então não conseguira falar com eles. Então simplesmente não parecia certo.
Na Bethany Lutheran, você começou a competir em torneios amadores, certo?
Me transferi para a Bethany Lutheran College, e recebi um convite de testes de times da Academy. A FlyQuest foi um dos times que me testou e realmente gostou de mim. Eu joguei no teste, e meio que smurfei, e aí eles me escolheram.
Você subiu muito devagar, apesar de sua habilidade e conquista no Tier 2. Como você se manteve motivado?
É provavelmente uma questão de mindset. Eu sabia que seria difícil chegar no Tier 1. Obter uma vaga de jogador estrangeiro é algo muito grande. E ir para a UE era muito difícil, porque eu teria que começar do início. Não posso passar muitos anos lá, porque já estou muito longe na minha carreira agora.
Eu continuava dizendo a mim mesmo: "Eu não deveria me preocupar com o futuro e com o que vai acontecer. Preciso só aproveitar o momento e trabalhar arduamente todos os dias. Em algum momento vai valer a pena." [...]
Fiquei deprimido muitas vezes. Na última offseason, quando não consegui ir para a LTA, fiquei meio deprimido. Falei para o meu treinador que eu talvez não quisesse jogar na próxima NACL, porque meu [mental] estava meio baixo.
Vamos falar sobre isso. Você foi considerado por unanimidade digno de uma vaga de Tier 1 na UE ou na NA, mas a offseason deu errado.
Falaram para mim que eu seria considerado residente da América do Norte, e um dos times da LTA deveria me escolher. Mas depois que descobri que não sou, eles já haviam escolhido os estrangeiros, então não tive chance nenhuma de entrar lá.
Depois disso, eu estava conversando com um time da LEC, [mas] basicamente era tarde demais na offseason, e não tiveram tempo de conseguir meu visto para isso.
Quando a oportunidade veio da TL, o que passou pela sua cabeça?
Mais uma vez, na época, eu apenas disse a mim mesmo que tentaria dar o meu melhor e jogaria como costumo jogar em treinos. [...] Eu não queria criar expectativas porque já me ferrei com isso, e sei como isso me impactou. Fiquei preocupado em criar expectativas altas demais, que talvez isso me ferrasse.
Mesmo antes de a decisão ser tomada, você estava dividindo treinos com o time, como foi isso?
Bem, eu não joguei em muitos treinos [scrims], mas quando joguei eu tentei aprender o máximo possível e me divertir. Porque quando você joga nos níveis mais altos, o jogo se torna mais divertido para mim.
Na NACL, há tantos treinos que são meio inúteis. Ou então tem times que, se eles perdem o early game, simplesmente dão FF na partida e a gente tem que começar de novo. Coisas desse tipo.
Qual foi a sua reação quando finalmente foi confirmado?
Houve uma conversa sobre mim, mas levou uma semana, e aí duas semanas. Sabe? Foi muito devagar. Então estava muito ansioso na época. [...]
Estava me preparando para o pior e o melhor. Quando recebi a notícia, fiquei muito feliz. Pensei, "Agora é minha chance. Tenho a oportunidade de me provar."
Onde você está agora e quando vai para Los Angeles?
Saint Louis. Meu voo é nessa quinta-feira (31/04).
Mas quando chegar lá, não será elegível para jogar imediatamente, certo?
No momento, estou com um visto de estudante, então vai levar algum tempo para mudar meu visto de estudante para um visto de trabalho para que eu possa jogar. Provavelmente vai levar algum tempo até eu conseguir. Depois disso, acho que serei elegível para jogar na LTA. [...] Não sei a estimativa exata, mas provavelmente levará umas quatro semanas.
Pode me falar as primeiras impressões de cada jogador do time?
Acho que Impact é realmente muito engraçado. Ele meio que não parece engraçado por fora. Mas quando começo a treinar com ele, vejo que o cara é muito engraçado. Ele tem muitas piadas de tiozão. Tipo, piadas antigas. É muito engraçado.
Ele parece meio assustador, não parece?
Quero dizer, foi o que pensei também. Mas na verdade ele é um cara tranquilo e engraçado.
UmTi parece um cara muito doce. Ele sempre quer ajudar as pessoas. Ele parece muito doce. [...]
APA, posso dizer que aquele cara é um tryhard, ele tenta dar o seu melhor a cada jogo. Quando treinei com ele, depois do jogo, ele também me mandou uma DM para me ajudar.
Você não jogou com ele em Maryville, mas já ouviu as histórias?
Ouvi muitas. Muitas histórias mesmo.
Pode me contar uma?
Não sei se posso, sabe? Eu... não vou contar.
Tudo bem, e sobre Yeon e CoreJJ?
Yeon parece um cara muito tranquilo e que trabalha arduamente. E ele me enviou tantas fotos de perfil de anime. E eu fiquei...
Fotos de perfil para você usar?
Imagens de perfil, sim. Eu fiquei muito surpreso, ele tem tantas.
Ele continuou me enviando. Tipo, "uau. Belas imagens de perfil".
Core parece ser um ótimo líder e está disposto a ajudar as outras pessoas. Se eu cometo alguns erros no treino, ele me chama de canto e explica como eu deveria jogar em sequência.
Spawn parece um cara muito tranquilo. Quando assisti aos documentários da TL, ele parecia meio assustador. Mas quando falei com ele, ele foi muito simpático e muito profissional.
A maior mudança de gameplay na troca para o Tier 1?
Não sei. Acho que nosso time na NACL é bom, por isso também tentamos jogar no mais alto nível na NACL. Então acho que vai levar algum tempo para ver isso, jogando contra outros jogadores da LTA. Mas eles são muito bons, mecanicamente. Na NACL, raramente vemos alguém insano. Mas quando joguei com times da LTA, em treinos com o time, fiquei tipo "Uau. Esses caras são muito bons."
Sinceramente, estou animado para jogar contra literalmente todos os jogadores, porque sei que a maioria deles na LTA é melhor do que os jogadores da NACL. Mas não quero jogar contra meus antigos companheiros de equipe como Tomo, Jerry e Massu.
Mensagem para os fãs?
Bem, para ser sincero, não tenho muito a dizer. Só quero deixar minha gameplay mostrar isso de alguma forma. Não quero falar muito agora. Estou muito animado para jogar na LTA e finalmente me provar.