Hometown Heroes: Keiko




Fãs da Team Liquid Valorant de longa data devem lembrar que no ano passado produzimos uma série de artigos intitulados "Hometown Heroes", e cada um apresentava diversas histórias e origens de nossos jogadores de Valorant. Neste ano, estamos trazendo a série de volta com novidades. Este artigo focará em Keiko, nossa estrela em ascensão!
Keiko cresceu nos arredores de Londres no Reino Unido, no entanto, em se tratando do lugar em que ele passou a maior parte de sua adolescência, diga-se a escola gramática em Croydon, ele não tem muito a recomendar. Aos 20 anos, muitas coisas ainda são novas experiências para ele, inclusive morar em Berlim com o resto do time de Valorant. Leia nossa entrevista com Keiko para saber mais sobre como seus pais reagiram a ele jogar profissionalmente, o que o nAts acha que é o melhor kebab de Berlim e um exercício de união de equipe particularmente memorável.
Onde você nasceu e cresceu?
Nasci em Port Louis, Ilha Maurício, e cresci em Londres. Passei meus primeiros anos de vida na Tailândia, mas depois me mudei para o Reino Unido e foi lá que cresci. Minha escola ficava perto da área de Croydon, então fui muito lá no ensino médio.
Era legal, fiz muitos amigos lá. Eu frequentei uma escola muito intensa e estudei muito, era muito focado na escola quando era mais jovem. Mas quando cresci meio que parei com isso e comecei a jogar mais..
Qual jogo você diria que te fez gostar de jogos?
Comecei com CoD no Xbox. Costumava jogar com meu pai no Xbox. Joguei muito Black Ops 2 quando era mais novo. E depois disso, meu primeiro jogo de PC foi Fortnite. Joguei isso quando tinha 16 ou 17 anos, quando tive meu primeiro PC, e depois o Valorant quando fiz 18 anos.
Praticamente todos os jogadores com quem conversei têm um irmão mais velho ou um pai que os apresentou aos jogos.
Sim, foi assim que comecei. Eu jogava muito Black Ops 1 em tela dividida com meu pai, depois Black Ops 2 no Xbox 360.
Parece que você se estabeleceu logo em Londres. Você vai à Tailândia visitar a família?
Fui visitar a Tailândia no Natal passado. Fiquei lá por duas semanas com minha mãe, meu pai e minha namorada, só para ver meus avós que eu não via desde os meus quatro anos de idade quando vivia na Tailândia.
Como foi?
Foi muito legal. Foi um dos melhores feriados. Foi o primeiro feriado em que viajei para muito longe, e foi para ver a família que eu não via há muito tempo. Eles ficaram muito felizes em me ver. Meu avô não me via desde que eu era um pequeno gremlin. Foi muito legal, fiquei muito feliz. Houve um pouco de barreira linguística, mas minha mãe traduziu para mim, porque eu consigo apenas entender. Não consigo falar, o que é meio chato. É por isso que na próxima vez, quero aprender tailandês antes de visitar minha família, porque foi tão embaraçoso.
Como estava o clima? Aposto que muito melhor.
Estava muito melhor. Estava muito úmido e quente. Sempre que saímos do Reino Unido, é chocante o quanto lá faz frio, mas na Tailândia, é como ser atingido no rosto pelo calor e umidade. É tão diferente e tão bom.
Hipoteticamente falando, se alguém fosse visitar Londres, ou mais especificamente Croydon, onde você diria para ir?
Em primeiro lugar, eu diria para não ir para Croydon. Frequentei a escola lá e foi onde passei a maior parte do meu tempo, mas eu morava em Kingston. Eu viajava durante uma hora e meia até Croydon para frequentar à escola gramática, tipo, uma escola seletiva. É por isso que passei a maior parte da minha adolescência lá. É completamente diferente de Kingston porque é muito mais diversificada em termos de cultura.
Havia algum lugar que você e seus amigos gostavam particularmente de frequentar?
Vou ser muito honesto. Eu não saia quando era criança, porque eu jogava videogame.
Então, por que viajava uma hora e meia para ir à escola? Isso era todos os dias, ida e volta?
Então, meu pai queria que eu fosse para uma escola melhor, tipo uma escola gramática, onde você basicamente faz testes para entrar. Eu passei, e ele disse que eu deveria estudar lá. Ele queria muito que eu fosse para uma boa escola, uma boa universidade, e tudo mais, porque ele achava que eu era uma criança muito inteligente. Ele queria que eu viajasse e fizesse tudo isso para poder frequentar a escola.
Então, como foi a virada de chave para os jogos profissionais?
Foi uma doideira. Meus pais não ficaram felizes. Eu sempre joguei videogames, e eles sabiam que isso tomava boa parte da minha vida, além da escola etc. Eu jogava com meus amigos... eles sabiam que eu jogava, só não sabiam que eu era bom. Então veio a Covid. Comecei a jogar muito durante a quarentena, e comecei a passar mais horas jogando, e dediquei todo meu tempo livre a isso, porque era a única coisa que eu conseguia fazer. Eu estava lá com todos os meus amigos, jogando todos os dias.
E aí comecei a competir. Levei um ano para entrar para a Apeks, que foi o meu primeiro time antes da Liquid, e meus pais não estavam felizes até que viram que eu podia ganhar a vida com isso. Porque eles meio que queriam que eu fosse para a universidade e estudasse ciência da computação ou medicina. Minha mãe queria muito que eu fosse para a universidade. Ela é uma típica mãe asiática.
Acho que morar nos Países Baixos e em Berlim, é a primeira vez que você se muda por causa dos esports, e a primeira vez que você mora longe de casa. Como tem sido essa experiência?
É um pouco estranho e difícil às vezes. Muitas coisas em que eu não pensava, que meus pais cuidavam o tempo todo, estou apreciando agora. É bom pensar neles, e sinto falta deles, porque não os visito há um tempo.
Quando você estava crescendo, havia algum prato preferido que seus pais faziam para você?
Acima de tudo, tem arroz doce de manga. O que a minha mãe faz é tão bom. Sou viciado nisso. Mas também, minha mãe é uma chef, então todas as comidas que ela faz são boas. Não posso falar só uma. Ela trabalha em um restaurante como chef principal, e trabalha no exterior como supervisora da Qatar Airlines, ela faz todos os tipos de comida asiática para o Qatar. Algo assim. Na verdade, eu lavava a louça no restaurante dela, quando eu tinha quatorze anos, para pagar pelo meu primeiro PC.
Já encontrou algum lugar em Berlim que você goste de ir? Já experimentou kebab?
Na verdade, experimentei muito kebab. NAts me mostrou o Hakiki, ele está olhando para mim agora, que é um restaurante de kebab muito bom. Acho que ele está procurando os melhores kebabs, e optou por um, é por isso que ele me indicou. Mas só estive lá uma vez, porque fica no lado oposto de Berlim.
Vocês já tiveram a oportunidade de ir a algum lugar juntos, ou encontrar jogadores de outros times?
Não, não tive muito tempo. Houve um escape room uma vez, mas foi só o time.
Um escape room, é um clássico dos esports.
Sim. Foi bem divertido. Era sobre, tipo, alguma máfia chinesa. Tínhamos que roubar dinheiro, basicamente esse era o tema, e havia muitas salas. Você entra em uma sala pequena, e acha que escapou de vez quando termina com aquela sala, mas aí ela se abre para mais seis salas, o que foi uma grande surpresa.
Uma vez, meus primos e eu fomos a um escape room e ficamos presos na última sala... não era nem um quebra-cabeça. Era literalmente a última porta e desperdiçamos dois minutos porque não conseguimos encaixar a chave na fechadura.
Ficamos presos em um problema por 40 minutos. Era, tipo, amarrar uma corda, e quando recebe a resposta você se sente tão burro depois pelos próximos 10 minutos. Tipo, Jesus, não acredito que ficamos presos nisso por 40 minutos.
Você sentiu que foi um exercício de conexão com o time pelo menos? Ou ficaram bravos uns com os outros?
Não diria bravos, mas foi muito engraçado porque estávamos divididos em dois times, competindo entre si. Somos muito competitivos. Meu time terminou o scape room e saiu, e as pessoas ficaram tipo "vocês terminaram primeiro, parabéns!" E saímos comemorando, e quando vimos o outro grupo estava nos olhando, filmando e rindo. Achei que tivéssemos terminado primeiro, mas foram uns bons 20 minutos depois deles.
Com que frequência você conseguiu visitar sua família novamente depois de entrar para a Team Liquid?
Desde que mudei para Berlim? Ainda não consegui. Não consegui voltar. Tive a oportunidade, mas foi depois de uma grande derrota e estava super incomodado, por isso não fui. Meio que me arrependo agora, mas você vive e aprende. Eu estava pensando apenas em mim, mas meus pais também não me veem há muito tempo, então... meio que é uma droga agora, mas vou aprender com isso.
Você fala muito com eles?
Falo com a minha família todos os dias. Minha mãe sempre faz chamada de vídeo comigo, ela fica super feliz quando ganhamos, e muito triste quando perdemos. Outro dia, jogamos contra a NaVi e foi 11-12 na Split, e teve um 1x1 entre mim e ANGE1, e errei o último tiro. E minha mãe disse: "Por que errou? Tudo dependia de você!" Ela acabou comigo. Ela nem sabe nada sobre o jogo e estava acabando comigo.
Isso é definitivamente uma coisa de mãe asiática.
Sim. Ela acabou comigo sem motivo, tipo, "Eu te criei melhor. Você tem que ser o melhor jogador. Errou isso? Qual é?!" E eu fiquei só rindo.
Na próxima vez você não vai errar.
Vou ficar com a voz da minha mãe na cabeça o tempo todo. Ela me perguntava como é que eu errei, e eu, tipo, "Não sei! Só errei! O que quer que eu fale?"
Você tem outros membros da família, irmãos, animais de estimação?
Tenho uma irmã. Ela é dois anos mais velha que eu.
Você já jogou com ela enquanto cresciam, ou ela nunca se interessou?
Ela não tinha interesse. Mas quando ela consegue, ela assiste aos meus jogos, minha mãe e meu pai sempre tentam assistir, e sempre que assistem, ela aparece para ver com eles.
Você acha que eles o visitariam em Berlim?
Eles querem muito vir, mas é muito caro, e me falaram que não querem gastar 500 libras para ficarem só por dois dias. Falei que não tem problema, vou cobrir, mas não querem que eu gaste dinheiro. Eles disseram que iriam me ver se fossemos para Xangai ou Coreia, porque aí haveria um motivo para ir além de apenas assistir ao jogo.
Você está animado para potencialmente visitar todas essas novas cidades neste ano, ou ano que vem, onde quer que sua carreira o leve?
Sim. Acho que a parte mais divertida desse negócio de jogos é visitar países diferentes, como ir para a Coreia para o torneio Afreeca TV foi divertido. Foi uma experiência muito legal. Espero poder fazer um evento internacional e ir a essas outras cidades, porque sei que minha família também adoraria ir, e adoraria levá-los comigo.

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