É bom estar em casa: EliGE volta à Team Liquid




Hoje em dia, é difícil até mesmo lembrar de uma época em que nem todos no cenário de CS sabiam o nome do EliGE. Mas há 10 anos, quando ele entrou na Team Liquid pela primeira vez, ele era um jogador desconhecido, apenas um adolescente que estava começando a carreira de pro player. Nos 8 anos seguintes, ele permaneceria na equipe e se estabeleceria como um dos melhores talentos de CS na América do Norte. Ele foi fundamental para que a Team Liquid vencesse o Intel Grand Slam, que eles conseguiram em um ano, tornando-os a equipe mais rápida a conseguir esse feito.
O EliGE saiu da Team Liquid em 2023 e passou os dois anos seguintes jogando pela Complexity e pela FaZe Clan. Enquanto isso, a Team Liquid CS continuou sem ele e, apesar do alto nível dos jogadores que mais tarde se juntaram ao elenco, por um tempo pareceu haver um vazio deixado pelo EliGE na equipe, um vazio que ninguém conseguia preencher.
Exceto o próprio EliGE, é claro — e após dois anos afastado, era o momento certo para ele voltar à Team Liquid CS e tentar escrever um novo capítulo tanto para si mesmo quanto para a equipe. Falamos com o EliGE sobre seus sentimentos em relação ao retorno à organização onde ele começou sua carreira e como ele acredita que pode ajudar a mudar o destino da equipe. Afinal, é bom estar em casa.
Então, como se sente voltando para a Team Liquid?
Acho que a Team Liquid sempre foi a melhor organização para mim. Foi onde eu comecei a minha carreira no Counter-Strike, e praticamente onde joguei durante quase toda a minha carreira. Tivemos muitos momentos bons. Eu tive muitos momentos bons de aprendizagem, não só como jogador, mas como pessoa.
Você entrou na Team Liquid quando tinha uns 17 anos, não é isso? Já faz muito tempo. O que significa voltar para essa organização onde você teve a sua grande chance?
Com certeza significa muito estar de volta. É uma organização que admiro desde que jogava StarCraft. E acho que é uma das orgs que todos no cenário de eSports admiram. Ainda me sinto assim.
Atualmente, a Liquid tem uma ótima equipe de Counter-Strike, e acredito que eles tiveram muitas partidas acirradas ao longo desse ano. Mas sempre tem algo que os impede de chegar mais longe. E acho que posso ajudar a equipe a avançar. Estou ansioso para fazer parte disso.
Na primeira vez, você ficou na Liquid por oito anos. Você provavelmente cresceu e mudou muito durante esse tempo. Como você acha que cresceu no tempo que esteve fora?
O tempo que passei na Liquid foi substancial. Sair da adolescência e virar adulto e ter que enfrentar todas as dificuldades de fazer parte de uma equipe competitiva, onde há altos e baixos, e ter que descobrir como me tornar uma pessoa melhor... Sempre foi um processo de aprendizagem.
Dito isso, por estar na equipe há tanto tempo, você não está realmente entrando em formações totalmente novas, nas quais precisa começar do zero. Enquanto estive fora, fui para a Complexity e depois para a FaZe, e estive com jogadores com quem nunca joguei antes, o que foi uma experiência muito diferente. E tive que descobrir a melhor forma de me encaixar e como poderia causar um impacto no time.
Foi um pouco diferente nas duas organizações. Na Complexity, eu estava em uma equipe um pouco menos experiente. Senti que a org precisava de um pouco mais de orientação e que eu precisava assumir esse papel de líder e tentar encontrar um bom equilíbrio, taticamente. Os outros jogadores tinham muitas ideias, e foi apenas uma mistura desses estilos e tentar encontrar o que era melhor para a nossa equipe. E acho que fizemos um bom trabalho com aquela equipe. Tenho boas lembranças daquela época.
E, depois, com a FaZe, eu entrei em uma equipe com muitos jogadores experientes. Estava tentando impactar como podia, ver o que eu conseguia fazer para ajudar a equipe a vencer e tentar fazer o que fosse preciso. Então, foram experiências diferentes, e acho que elas são muito valiosas no geral.
Leia mais em - EliGE's announcement and very first interview with Team Liquid.
Um dos motivos principais da sua volta à Team Liquid é o nosso treinador, o Flashie. Você poderia falar um pouco sobre a sua relação com ele e o papel que você acha que terá na construção dos novos sistemas da equipe?
Flashie e eu já nos conhecíamos porque ele era o treinador da minha noiva na CLG Red. Já nos conhecemos bem e sempre o achei um cara inteligente. Conversamos mais sobre o jogo, como vemos as coisas, e só de ouvir sobre a estrutura da Liquid já me deixou muito animado, porque sinto que estamos falando do mesmo Counter-Strike. Acho que quando estamos na mesma página sobre como queremos comunicar as ideias e sobre como queremos fazer as coisas, tudo fica mais fácil.
No que diz respeito ao meu papel, vou ver o que preciso fazer na equipe, porque acho que preciso me moldar para ser o que a equipe precisa. Então, se a equipe precisar de alguém que fale mais alto, que tome frente às situações um pouco mais, mais ou menos o que eu fiz na Complexity, então é o que vou fazer. É claro que terei as minhas ideias - isso nunca vai mudar. Sempre tentarei trazer soluções, tentarei ser muito ativo na minha função, tentando ser uma pessoa e um jogador muito flexível. E eu acredito na estrutura de tudo o que ouvi na Liquid.
A equipe tem muitos jogadores bons. Muitas coisas parecem poder ser alinhadas para que possamos vencer campeonatos. Então, vou tentar me encaixar da melhor maneira possível e ter um bom relacionamento com os outros jogadores. Uma coisa que sempre gosto é ter um bom relacionamento com o treinador e com o IGL, poder conversar com eles o máximo possível sobre diferentes ideias que eu tenho, ou sobre como podemos melhorar as coisas. E acho que é o que o Flashie e o sihuy querem também.
Esse ano, uma das maiores preocupações da Team Liquid CS tem sido a falta de um bom entry fragger. Como você se sente ao voltar para a equipe para preencher essa função, e como você acha que o seu estilo de jogo vai se encaixar com o dos outros jogadores da equipe?
Eu definitivamente sou um jogador agressivo. Gosto de partir para a briga. Gosto de achar aberturas. Não diria que sou um entry maluco, que dá a cara em todo round, mas gosto de avançar quando acho essas oportunidades. Sou um jogador mais agressivo que a maioria é, e acho que isso é muito importante, porque os jogadores normalmente têm um estilo que adotaram ao longo de suas carreiras, e leva algum tempo para mudar esse estilo. Você sempre vai ter um pouco daquele estilo que jogou no começo. Então, posso ajudar a preencher essa lacuna entre os jogadores que são naturalmente mais passivos.
E não acho que ninguém joga apenas nesse estilo mais passivo, mas tem uma motivação extra de uma pessoa que sempre está disposta a arriscar, encontrar diferentes soluções de como facilitar a entrada em lugares do mapa, encontrar aberturas - acho que é aí que posso mostrar meu potencial. E acho que isso deve ajudar, com certeza, e é por isso que estou super animado para começar a trabalhar com todo mundo.
Ao que parece, vocês vão jogar esse final de semana, então é uma mudança bem rápida. Como você está se sentindo com isso?
É bem corrido, quando se trata de ficar tudo pronto, principalmente com as implicações do VRS e para tentar participar dos jogos que posso antes de fecharmos a equipe que vai para o major. Obviamente, não teremos tempo suficiente para me integrar totalmente, mas quero mostrar o meu melhor. É assim que sou como competidor. Nunca quero jogar um torneio sem estar preparado.
Estou tentando trabalhar no meu jogo de maneira individual o máximo que posso, de uma perspectiva mecânica. Estou tentando trabalhar nas coisas que não podia focar antes, porque acho que quando você muda as coisas mecanicamente, não consegue realmente dar o seu melhor, já que precisa estar sempre pronto para competir no dia seguinte. Então acho que tem sido divertido focar nas minhas mecânicas dessa maneira.
Em termos de táticas, tenho assistido às partidas e vendo o que está acontecendo. Eu definitivamente vou fazer um trabalho extra com o Flashie e o siuhy fora do servidor, ou com o NertZ - com quem quer que eu precise falar. Estou apenas tentando dedicar o máximo de horas possível antes do início do torneio. Tenho que trabalhar o máximo possível para entender o sistema que a equipe tem, as posições, tudo mais. Vai dar muito trabalho, mas não estou muito preocupado com essa parte.
Uma vez que esse anúncio sair, muitas pessoas vão falar sobre isso, e muita expectativa será colocada em você. Você já está se sentindo pressionado?
Sinto que já fui bastante criticado ao longo da minha carreira, por isso não vai ser uma novidade. E, sabe, a pressão é um privilégio. Todos os olhos estarão em mim, e isso é bom, certo? Acho que todos querem ver como estou. As pessoas têm me apoiado muito nos últimos meses, o que tem sido muito bom. Isso com certeza me motiva, e agradeço aos fãs que têm me apoiado. Isso com certeza me deixa feliz.
É um pouco mais difícil quando os tempos são difíceis e você não está recebendo o mesmo apoio, e isso pode ser mais uma onda negativa em sua direção, mas acho que essa pressão é um privilégio, e todos estão realmente animados. Eles querem ver do que somos capazes. Querem ver o que eu posso fazer na equipe, e quero mostrar isso a eles. Para mim, o que importa é o prazo para a apresentação dos nomes dos jogadores da equipe para o VRS. Mas, a longo prazo, estou animado para começar a jogar, e essa pressão vai acontecer, e tudo bem.
Tem alguma coisa que você queira falar para a Cavalaria e para os seus fãs que te apoiaram nos outros times para quem você jogou?
Estou muito empolgado por estar de volta à Liquid. Tenho certeza de que todos os fãs ficarão animados ao me ver vestindo azul outra vez com os outros. E espero escrever um novo capítulo que será incrível para todos. Estou otimista. Estou muito feliz com o andamento das coisas. Estou animado para começar e feliz por todo o apoio que os fãs têm me dado. E espero que eles continuem me apoiando na Liquid.